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Surto de Covid-19 em fábricas de carnes, onde muitos brasileiros trabalham

Na última semana, vários trabalhadores da fábrica da Kepak, no condado de Cork, foram diagnosticados com Covid-19. Estima-se que cerca de 150 funcionários da unidade estejam infectados. A maioria são imigrantes brasileiros e de países do leste europeu.

O HSE negou-se a comentar a situação da fábrica, mas segundo fontes ouvidas pelo Herald.ie, alguns trabalhadores moram juntos, ou dividem carona até o trabalho, o que teria contribuído para a disseminação da doença. Há casos em que 4 ou 5 pessoas compartilhavam o mesmo carro. Além disso, muitos funcionários, principalmente brasileiros, estão desrespeitando as restrições de isolamento, viajando para fora dos limites impostos pelo governo.

A fábrica de Kepak não é a única do setor a ser afetada. No fim de abril, pelo menos seis unidades ao redor do país tinham casos confirmados. No momento, há mais de 600 infectados em fábricas de carne em toda a Irlanda.

Para o SIPTU, maior sindicato de trabalhadores da Irlanda, o governo precisa lançar urgentemente uma estratégia específica para combater a doença nos frigoríficos, já que as condições de trabalho nestes locais são propícias à disseminação do vírus.

A realidade das fábricas de carne

Fábricas de carnes continuaram a funcionar mesmo durante a pandemia, pois são consideradas indústrias essenciais. O setor emprega muitos imigrantes, principalmente brasileiros, que se mudam para a Irlanda em busca de emprego. No entanto, as condições de trabalho muitas vezes são precárias e o salário é baixo.

Segundo uma reportagem do The Guardian, trabalhadores dizem que as empresas não estão fazendo o bastante para protegê-los. Há filas nos vestiários e nos refeitórios, a distância mínima de 2 metros não é respeitada, e há poucos equipamentos de proteção. Em alguns casos, funcionários são obrigados a comprar suas próprias máscaras. E, para piorar, muitos imigrantes não falam inglês, o que dificulta a comunicação.

Segundo fontes ouvidas, algumas medidas de proteção foram implementadas depois de muito tempo, mas ainda não são suficientes para manter um ambiente de trabalho seguro.

Author: Pedro Henrique Moschetta

Trabalho com marketing digital e morei por dois anos na Europa. Gosto de escrever sobre viagens, negócios e entretenimento, além de compartilhar dicas e conselhos para brasileiros que moram fora do país.
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