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Estudantes estrangeiros na Irlanda vivem em condições precárias durante pandemia

Uma pesquisa recente, feita por um professor de inglês de Dublin, mostrou que mais de 1000 estudantes estrangeiros estão sem dinheiro após a crise causada pela pandemia de Covid-19. Quase dois terços são brasileiros. Muitos estão vivendo em condições precárias e sem qualquer tipo de renda.

Segundo a pesquisa, muitas escolas estão oferecendo créditos ao invés de reembolsos aos alunos, sugerindo que os estudantes deixem para fazer o curso mais adiante. Pelo menos 93% dos respondentes disseram que não receberam qualquer tipo de devolução do valor pago às escolas.

Boa parte dos estudantes gastaram uma média de €2.600 pelo curso, enquanto alguns chegaram a gastar até €15.000. Muitos investiram todas suas economias, ou pegaram empréstimos para poder viajar a Dublin e estudar inglês, segundo o professor Fiacha Ó Luain, responsável pela pesquisa.

A pesquisa ainda revela que quase dois terços dos participantes da pesquisa não puderam cadastrar seu número de PPS antes da crise. O cadastro é necessário para ter acesso aos serviços de segurança social na Irlanda. Além disso, um terço ainda não recebeu o Irish Residence Permit (IRP), um certificado que garante a permanência legal no país por mais de 90 dias. Apenas 31% dos participantes tinham um emprego antes da pandemia, e quase todos foram demitidos.

Além da falta do PPS, alguns estudantes que trabalhavam antes da crise não podem receber o benefício pago pelo governo, pois ganhavam seu salário em dinheiro, e não possuem qualquer tipo de comprovante que prova que estavam empregados.

Para piorar a situação, há estudantes vivendo em moradias com até 24 pessoas, e alguns proprietários estão recusando os pedidos dos inquilinos para reduzir o aluguel durante a crise. Há uma regra que proíbe o despejo e aumentos dos aluguéis durante a pandemia, mas quase metade dos participantes da pesquisa não tinham conhecimento sobre isso.

Em entrevista ao Irish Times, a parlamentar Clare Daly disse que os alunos estrangeiros de escolas de idioma foram deixados de lado, e podem ser uma ameaça à saúde pública. Ela pede para que o governo entre em contato com os estudantes e tome uma atitude.

Mais de 20.000 estudantes de fora do Espaço Econômico Europeu se registraram para estudar na Irlanda no último ano, segundo o Departamento de Justiça. A maioria tem a permissão Stamp 2, que dá direito a trabalhar até 20 horas por semana enquanto estudam. As últimas medidas anunciadas permitem que estudantes estrangeiros trabalhem até 40 horas por semana enquanto as escolas permanecem fechadas pela pandemia, desde que o tipo de trabalho seja considerado “essencial” pelos critérios do governo.

Author: Pedro Henrique Moschetta

Trabalho com marketing digital e morei por dois anos na Europa. Gosto de escrever sobre viagens, negócios e entretenimento, além de compartilhar dicas e conselhos para brasileiros que moram fora do país.
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