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A situação dos entregadores do Deliveroo na Irlanda

Na última quarta-feira, 1 de julho, milhares de entregadores organizaram uma paralisação em todo o Brasil para protestar contra os serviços de delivery. Trabalhadores de apps como iFood, Rappi e Uber Eats enfrentam condições precárias de trabalho, com longas jornadas, baixa remuneração e falta de segurança.

Na Irlanda, a situação não é diferente.

Entregadores do Deliveroo, o app de delivery mais popular do país, reclamam das políticas abusivas e da falta de suporte da empresa. O serviço, que se tornou essencial durante a pandemia, é movido em grande parte por imigrantes, muitos deles ilegais, que arriscam suas vidas para poderem se sustentar. Além da exposição ao vírus, muitos são vítimas de agressões – físicas e verbais – e punições injustas por parte da empresa. Tudo isso por uma remuneração que, muitas vezes, fica abaixo do salário mínimo.

relatos frequentes de hostilidade contra trabalhadores que vestem o uniforme do Deliveroo. No ano passado, um brasileiro teve seu nariz quebrado após ser violentamente atacado por uma gangue enquanto fazia entregas em Finglas, subúrbio de Dublin.

Após uma greve em fevereiro de 2019, a empresa parece não ter se importado com as reivindicações, e chegou a reduzir o pagamento mínimo por entrega de €4,30 para €2,90. A empresa frequentemente faz mudanças no sistema que tornam o trabalho mais difícil e pressionam os trabalhadores para fazer entregas cada vez mais rápidas. No fórum r/Ireland do Reddit, um usuário conta que foi punido por não ser rápido o suficiente, pois parava no sinal vermelho. Um vídeo mostra um ciclista da empresa sendo atingido por um carro após furar o sinal vermelho, prática que não é condenada pela empresa.

Para piorar, devido ao status legal de muitos entregadores, fica difícil exigir os direitos. Como a plataforma só permite que cidadãos europeus se registrem na plataforma, muitos imigrantes “alugam” contas já registradas por valores que giram em torno de 50 euros por semana.

Em países como Espanha e Holanda, a justiça decidiu que trabalhadores de serviços como Deliveroo devem ser tratados como funcionários, tendo direitos e remunerações compatíveis com a função. Na Irlanda, o Partido Trabalhista chegou a lançar um manifesto pedindo a regulação da chamada gig economy (ou “economia de bicos”) e mais direitos aos trabalhadores.  O governo, no entanto, pouco se manifestou sobre a situação.

Source article: https://capletter.home.blog/2020/06/23/all-quiet-on-the-streets-of-dublin-deliveroo-riders-struggle-to-work-safely-in-the-times-of-coronavirus/

Author: Pedro Henrique Moschetta

Trabalho com marketing digital e morei por dois anos na Europa. Gosto de escrever sobre viagens, negócios e entretenimento, além de compartilhar dicas e conselhos para brasileiros que moram fora do país.
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