Três cidadãos brasileiros compareceram ao Tribunal Distrital de Dublin acusados após uma grande investigação da Garda sobre uma suposta rede organizada de prostituição, tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, movimentou cerca de €3,5 milhões em proveitos do crime. O caso, considerado uma das maiores investigações sobre prostituição organizada levadas aos tribunais irlandeses nos últimos anos, é resultado de uma longa operação conduzida por unidades especializadas da Garda voltadas ao combate à exploração sexual e ao crime financeiro.
Matheus Berberick, Maria Berberick e Sander de Silva Pereira permaneceram presos preventivamente nesta sexta-feira após serem formalmente acusados de crimes relacionados ao que a Garda alega ser uma organização criminosa sofisticada que operava na Irlanda por mais de três anos. Nenhum dos três apresentou defesa até o momento, e as acusações ainda não foram analisadas em julgamento. De acordo com a legislação irlandesa, todos são presumidos inocentes até que sua culpa seja comprovada em tribunal.
Quem são os três acusados?
Os três acusados são cidadãos brasileiros que residiam em Tallaght, na zona sul de Dublin.
Matheus Berberick, de 35 anos, e sua irmã Maria Berberick, de 27, tinham endereço em Raheen Close, Tallaght. Já Sander de Silva Pereira, de 40 anos, morava em Loftus Hall, também em Tallaght. Os três compareceram ao Tribunal Distrital de Dublin com o auxílio de intérpretes de língua portuguesa.
Além de seus nomes, idades, nacionalidade e endereços em Dublin, poucas informações foram divulgadas publicamente sobre seus históricos pessoais. Não há informações verificadas sobre a cidade de origem no Brasil, quando se mudaram para a Irlanda, seu histórico profissional ou eventuais antecedentes criminais. Até o momento, as audiências concentraram-se exclusivamente nas acusações apresentadas pela acusação, sem abordar detalhes de suas vidas pessoais.
Do que eles são acusados?
A promotoria alega que os três integravam ou davam apoio a uma organização criminosa envolvida com prostituição organizada e lavagem dos lucros obtidos com essa atividade.
Cada um responde por acusações de fortalecimento de uma organização criminosa, conforme a legislação irlandesa sobre crime organizado, além de diversas acusações de posse ou controle de bens provenientes de atividade criminosa.
Segundo a promotoria:
- Matheus Berberick é acusado de possuir aproximadamente €2,3 milhões em supostos recursos de origem criminosa.
- Maria Berberick é acusada de possuir cerca de €470 mil.
- Sander de Silva Pereira é acusado de possuir aproximadamente €721 mil.
Somados, os valores chegam a quase €3,5 milhões que, segundo a acusação, seriam provenientes de atividades criminosas.
Acusação adicional contra Maria Berberick
Maria Berberick também responde a uma acusação separada por supostamente utilizar um documento de identidade falso como instrumento fraudulento.
Nenhum detalhe adicional sobre essa acusação foi apresentado durante a audiência de sexta-feira.
A investigação da Garda
As acusações são resultado de uma investigação conduzida pelo Garda National Protective Services Bureau, por meio da Unidade de Investigação de Prostituição Organizada e da Unidade de Coordenação e Investigação sobre Tráfico de Pessoas.
Segundo a promotoria, os crimes teriam ocorrido entre 1º de março de 2023 e 10 de agosto de 2026, indicando que os investigadores acreditam que a suposta organização criminosa atuou por mais de três anos antes das prisões. O detetive Dwayne O’Brien também informou ao tribunal que os bens financeiros dos três acusados permanecem congelados enquanto a investigação continua.
Embora a Garda tenha descrito a investigação como envolvendo prostituição, tráfico de pessoas e lavagem de dinheiro, as provas que sustentam essas alegações ainda serão apresentadas durante o julgamento.
O que aconteceu no tribunal?
Os três acusados compareceram perante o juiz Ciarán Liddy no Tribunal Distrital de Dublin.
Os detetives Dwayne O’Brien, Jason Guing e Róisín Reynolds informaram ao tribunal que cada um dos acusados “não respondeu” quando as acusações lhes foram formalmente apresentadas. Os três permaneceram em silêncio durante toda a breve audiência, acompanhados por intérpretes de português.
Como o processo inclui acusações relacionadas ao crime organizado, qualquer pedido de liberdade sob fiança deverá ser analisado pelo Tribunal Superior (High Court), e não pelo Tribunal Distrital. Por esse motivo, os três permaneceram presos preventivamente e deverão voltar ao tribunal na próxima semana, enquanto seus advogados avaliam a possibilidade de solicitar fiança.
Nenhum pedido de assistência jurídica gratuita foi apresentado durante a audiência.
Apelo da Garda
Após a audiência, o Garda National Protective Services Bureau renovou o apelo para que pessoas vulneráveis envolvidas na prostituição ou vítimas de tráfico humano procurem ajuda por meio da campanha Blue Blindfold, do Departamento de Justiça, ou da instituição Ruhama, que presta apoio a mulheres afetadas pela prostituição e pela exploração sexual.
O que acontece agora?
O processo ainda está em sua fase inicial.
Nenhuma das acusações foi analisada por um júri, e os três acusados ainda não apresentaram suas defesas. A promotoria continuará reunindo e apresentando provas antes que o caso avance nos tribunais irlandeses.
À medida que o processo evoluir, novos detalhes sobre a suposta organização criminosa e sobre o histórico dos acusados poderão surgir durante as audiências. Até lá, todas as acusações permanecem alegações, e os três acusados continuam tendo direito à presunção de inocência garantida pela legislação irlandesa.