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Funeral do arenque: a estranha tradição irlandesa da Páscoa

Como já mostramos aqui no oi.ie, a Páscoa na Irlanda é cheia de tradições, muitas delas centenárias. Mas uma delas chama a atenção: o funeral do arenque.

Durante a quaresma, o período de quarenta dias antes da Páscoa, muitos irlandeses não comiam carne. Por isso, os açougueiros vendiam muito pouco durante esta época, já que a carne era substituída pelo arenque, um peixe barato e abundante.

No entanto, depois de tanto tempo sem comer carne, muitas pessoas já estavam cansadas de comer peixe, por isso celebravam o fim da quaresma com um funeral no domingo de Páscoa: um funeral para o arenque.

A cerimônia geralmente era organizada pelos açougueiros. Em Drogheda e outras cidade do condado de Louth, um peixe era preso a um longo pedaço de madeira, que era carregado em procissão pela cidade. O peixe levava golpes até chegar a uma ponte, onde seus restos eram jogados no rio em meio a insultos e palavrões. Depois, a procissão seguia com um cordeiro no lugar do peixe, e música para celebrar o fim da abstinência.

Muitas dessas procissões tinham como objetivo também arrecadar fundos para os mais afetados pela quaresma, como os açougueiros e os criadores de gado.

Mais do que abstinência de carne, a quaresma era um período de silêncio. Não havia música, danças, jogos, nem visitas aos amigos. Os instrumentos musicais eram guardados e, em alguns casos, o baralho de cartas era queimado, até que um novo fosse comprado na Páscoa. Muitos cristãos também abdicavam de um vício, como o cigarro e o álcool, como forma de sacrifício durante a quaresma.

Author: Pedro Henrique Moschetta

Trabalho com marketing digital e morei por dois anos na Europa. Gosto de escrever sobre viagens, negócios e entretenimento, além de compartilhar dicas e conselhos para brasileiros que moram fora do país.
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