Estudantes brasileiros que planejam estudar inglês na Irlanda estão sendo orientados a analisar todos os detalhes com cuidado após uma onda de reclamações sobre reembolsos, problemas com pagamentos ligados ao visto e alertas de golpes ter colocado parte do setor de escolas de idiomas sob pressão. Os casos mais recentes envolvem alunos que esperam há meses por dinheiro que, pelas regras irlandesas, deveria ser devolvido em até 20 dias úteis se o pedido de visto fosse recusado.
A Raidió Teilifís Éireann (RTÉ), emissora pública nacional da Irlanda, informou que o Irish Council for International Students (ICOS) recebeu reclamações envolvendo mais de 30 estudantes em potencial e cerca de €60.000 em reembolsos não pagos por dez escolas. Em um dos casos, Lorena Prasca Ramirez, estudante colombiana, pagou €2.810 por um curso de 25 semanas na NED College em fevereiro de 2025, teve o visto recusado depois e passou meses tentando recuperar o valor.
O Irish Council for International Students (ICOS) afirma que o problema não é apenas financeiro, mas também de confiança. A organização destacou que estudantes de países em desenvolvimento muitas vezes ficam em posição vulnerável porque pagam adiantado e podem ter pouca força para reagir se uma escola atrasar ou ignorar pedidos de devolução. Já a English Education Ireland (EEI), entidade do setor que representa muitas escolas, disse que a situação não representa seus membros, mas também defendeu uma fiscalização mais rígida sobre instituições que não cumprem suas obrigações.
Quanto custa estudar inglês na Irlanda
O custo de estudar inglês na Irlanda pode ser alto. Escolas de Dublin com preços públicos anunciam cursos para adultos a partir de cerca de €240 por semana, enquanto programas mais intensivos chegam a aproximadamente €395 por semana. Isso sem contar acomodação, passagem aérea, seguro, transporte e alimentação, que rapidamente elevam o valor total para vários milhares de euro.
Isso importa porque disputas por reembolso não são apenas um incômodo burocrático. O The Irish Times informou que mais de 150 estudantes brasileiros foram afetados após o colapso de um programa em 2025, e muitos haviam pago milhares de euro em mensalidades, acomodação, seguro, traslados e passagens aéreas. Alguns haviam transferido o dinheiro apenas uma semana antes do fechamento, mostrando como um plano de estudos pode virar um desastre financeiro muito rapidamente.
Casos de golpe envolvendo brasileiros
Os riscos não se limitam a atrasos de reembolso. O The Irish Times também relatou o chamado golpe do “ghost student”, no qual estudantes estrangeiros, incluindo brasileiros, teriam sido enganados com cartas de matrícula falsas, seguros falsos e comprovantes de presença forjados vendidos por aplicativos de mensagem e redes sociais. Alguns pagaram entre €600 e €1.800 por documentos falsos, o que pode levar à recusa do visto e a problemas de imigração.
Por isso, qualquer promessa de “aprovação fácil” deve ser vista com muita desconfiança. Uma escola legítima não deve incentivar documentos falsos, pressionar o aluno a pagar sem uma política de reembolso clara ou evitar comunicação escrita transparente. Nesse mercado, atalho pode custar muito mais caro do que o curso em si.
Por que isso importa agora
O governo irlandês já sinalizou uma fiscalização mais rígida sobre escolas de inglês, especialmente aquelas vistas como uma porta de entrada para o trabalho, e não como prestadoras reais de educação. Um novo modelo de credenciamento e auditorias surpresa foram criados para separar as instituições mais fortes das mais fracas, mas os casos recentes mostram que a aplicação dessas regras ainda é um problema real.
Para brasileiros na Irlanda, a orientação prática é simples: confira se a escola publica uma política de reembolso, confirme se o pagamento está sendo feito em uma conta protegida adequada, guarde todos os recibos e e-mails, e nunca confie em quem oferece documentos falsos ou garante sucesso no visto. A Irlanda continua sendo um bom destino para estudar inglês, mas o caminho mais seguro ainda é o mais transparente.