Pedro Cifali não era uma figura pública, influenciador ou líder comunitário. Até 2024, seu nome não tinha qualquer relevância fora de seu círculo pessoal. Isso mudou de forma abrupta após um ataque violento em Dublin que ganhou destaque nacional na Irlanda e colocou um cidadão brasileiro no centro de um dos casos criminais mais chocantes dos últimos anos.
Cifali, brasileiro residente em Dublin, manteve um relacionamento com Lucia Nezbalova. Após o fim da relação, a separação não foi aceita. O tribunal ouviu mais tarde que ele colocou secretamente um dispositivo de rastreamento embaixo do carro da ex parceira, passando a monitorar seus deslocamentos sem que ela soubesse. Esse detalhe se tornaria crucial no processo, revelando um nível de planejamento que alarmou investigadores e juízes.
Em maio de 2024, depois de seguir Lucia até sua casa em Waterville, Dublin 15, Cifali se aproximou da porta sob o pretexto de querer conversar. Em poucos instantes, iniciou um ataque brutal com faca, desferindo múltiplos golpes. As lesões atingiram o pescoço, a cabeça, as costas, o abdômen e os braços. Muitas foram feridas defensivas, indicando que a vítima tentou se proteger enquanto lutava pela própria vida.
A sobrevivência de Lucia ocorreu, em parte, por circunstâncias fortuitas. Um profissional de saúde que estava nas proximidades ouviu os gritos e interveio, impedindo que o ataque se tornasse fatal. A promotoria descreveu o crime como deliberado, planejado e executado com clara intenção de matar.
Cifali foi preso e posteriormente se declarou culpado por tentativa de homicídio. Em fevereiro de 2026, o Tribunal Criminal Central da Irlanda o condenou a 16 anos de prisão, com mais um ano suspenso sob condições rigorosas. A pena foi aplicada de forma retroativa a maio de 2024, data de sua prisão. Na sentença, a juíza destacou o ciúme e a raiva após Lucia iniciar um novo relacionamento como fatores centrais da motivação do crime.
Para Lucia Nezbalova, as consequências foram muito além das lesões físicas. Em seu depoimento ao tribunal, ela relatou dores contínuas, mobilidade reduzida, ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós traumático. Disse ainda que sua sensação de segurança foi destruída, especialmente dentro da própria casa, um espaço que antes representava proteção.
O caso teve grande repercussão na Irlanda não apenas pela violência extrema, mas por expor os riscos do stalking e do controle obsessivo após o fim de relacionamentos. Desde então, passou a ser citado em debates sobre violência doméstica, segurança pessoal e o uso abusivo de tecnologias de rastreamento.
O nome Pedro Cifali ficou permanentemente associado a um crime que ultrapassou fronteiras e deixou marcas profundas. Para o público brasileiro, especialmente aqueles que vivem no exterior, o caso serve como um alerta duro sobre como relações marcadas por controle e obsessão podem evoluir para violência extrema, e sobre como esse tipo de crime é tratado pela justiça irlandesa.